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Saturday, April 24

Novas cartas, mesmas cartas, as cartas de uma só vez


Mónica
Estou cansado. Muito. Já não sorris dentro de mim. Mais cartas chegarão, melhor: entregar-te-ei mais cartas; aliás, reformulo, preciso: encontro-me a compilar as cartas para enviar-tas de uma só vez; como uma frase interminável que não permitiste que eu te dissesse durante o tempo que estivemos juntos. Pelo meio, anexarei umas quantas novas palavras que ainda não conheces, - farei questão de dizer-te outras tantas palavras finais. Para que daquele tempo, de facto, apenas reste eu.

Voltarei.


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Sunday, April 18

Dúvida


Passou-se tanto tempo que pareço não saber o que aconteceu e o que apenas foi imaginação na minha cabeça: às vezes parece que não houve passado nem ficção, que a distinção nem sentido faz. Pois tanto num plano como noutro, exististe tu: de tal forma assim é que confesso não saber em qual das dimensões estiveste mais presente. Em qual das duas me senti mais (in)feliz.

Sinto que estou perto do fim e que estás cada vez mais longe. A semana passada, não querendo pensar mais em ti, comecei a recolher as cartas que te escrevi nestes não sei quantos meses

(folhas pequenas e grandes, de várias cores e escritas a azul, a preto, a vermelho e rosa, o Moleskine profanado na sua beleza intrínseca).

lentamente, como quem não quer olhar olhar para o passado, fui somando na última gaveta da secretária onde sempre te escrevi, cada carta que encontrava pela casa. Ontem, de uma só vez, deparei-me com um par de cartas de algumas páginas que entupiram a divisão do móvel.

E nesse momento, não sei se pela quantidade se por alguma frase que a visão incauta vislumbrou, pensei que ali, (aqui), o teu corpo e a minha memória jaziam, lado a lado, de mão dada.


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Tuesday, April 6

Férias


Estou e tenho estado de férias. Não quero pensar em ti nestes dias - muito menos escrever-te.

Voltarei?


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Friday, April 2

A mancha


- E pára de olhar para a minha mancha!

- Qual mancha?

- Essa para onde estás a olhar.

- Não estou a olhar para nenhuma mancha.

- Não digas nenhuma, como se não soubesses que tenho uma.

- Certo, não estava a olhar para a tua mancha na testa.

- Pronto. Tinhas mesmo que dizer isso dessa forma?

- Qual forma?

- Essa. Sublinhando o “Na tua testa”.

- Que queres que diga? A mancha, de facto, É, na testa.

- Pensava que não vias nenhuma mancha.

- E não vejo... não vejo...

- Acabaste de dizer que tinha uma.

- Sim. Não. Bom... não sei... olha...

- Diz.

- Podemos mudar de canal?


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